Originalmente escrito em italiano, traduzido pela OpenAI.
Nunca imaginei que um aplicativo de correspondência pudesse mudar a minha vida.
Quando baixei o Slowly, naquele já distante outono de 2019, eu só procurava alguém com quem conversar e compartilhar um pouco de mim. Não tinha nenhuma expectativa. Achei que trocaria algumas cartas, conheceria pessoas interessantes e, depois, como tantas coisas que acontecem na internet, tudo terminaria por ali.
Mas foi justamente de uma daquelas cartas que nasceu a amizade mais profunda que já vivi.
Durante anos, escrevemos um para o outro sem pressa, respeitando o tempo de espera — embora, no nosso caso, ele costumasse ser bem curto. Ainda no primeiro ano, nossas caixas de correio começaram a transbordar com dezenas e dezenas de cartas todas as semanas. E que sensação maravilhosa era saber que, em algum lugar do mundo, havia alguém que havia dedicado um tempo para se sentar, refletir e escolher com cuidado cada palavra escrita especialmente para você.
Em um mundo onde tudo é imediato, o Slowly nos ensinou o valor da espera e o poder das palavras. Não havia necessidade de fotos, de aparências, de vaidade ou de inseguranças. Pela primeira vez, tive a oportunidade de conhecer uma alma, e nada além disso.
Compartilhamos medos, sonhos, fracassos e conquistas. Contamos um ao outro sobre os dias mais comuns e os momentos mais importantes das nossas vidas. Passamos juntos por provas da universidade, mudanças, novos relacionamentos, crises pessoais, mudanças de casa, dúvidas sobre o futuro e até mesmo silêncios difíceis. Às vezes parecia que estávamos crescendo juntos, mesmo morando tão longe um do outro.
Com o tempo, percebi que algumas pessoas conseguem conhecer você mais profundamente através das palavras do que muitas outras olhando diretamente nos seus olhos.
Nossas cartas se tornaram centenas. Até hoje, cada uma delas guarda um pequeno pedaço de quem fomos. Construímos uma linguagem feita de metáforas, músicas, filmes, lembranças compartilhadas e piadas que só nós éramos capazes de entender. Sem perceber, havíamos construído um pequeno lar feito de papel digital e músicas dos Beatles.
É claro que nem tudo foi fácil. Como acontece em toda relação importante, a nossa também passou por momentos difíceis. A vida segue seu curso. As pessoas mudam. As prioridades mudam. Os equilíbrios mudam. Às vezes crescemos na mesma direção; outras vezes, não. E tudo bem.
Infelizmente, nossa história não teve o final que esperávamos.
Durante muito tempo, achei que isso significava que todo o resto tinha sido em vão. Hoje já não penso mais assim.
Hoje acredito que a beleza de uma amizade não depende apenas da forma como ela termina.
Existem encontros que transformam você, mesmo que não durem para sempre.
Essa pessoa me ensinou a ouvir de verdade, a escrever com sinceridade e a olhar o mundo com mais curiosidade e mais razão.
Se hoje sou uma pessoa diferente, uma parte desse mérito pertence também àquelas cartas.
Por isso, nunca consigo pensar no Slowly como apenas mais um aplicativo.
Para mim, ele foi — e continua sendo — o lugar onde dois desconhecidos se encontraram sem imaginar que mudariam, para o bem e para o mal, o rumo da vida um do outro.
Talvez esse seja o maior presente que o Slowly nos oferece: lembrar que as conexões mais profundas nem sempre nascem da proximidade geográfica, mas da paciência, da escuta e da coragem de se mostrar vulnerável, independentemente de como a história termine.
Não sei se todas as histórias que começam aqui estão destinadas a durar para sempre. A minha não estava.
Mesmo assim, se eu pudesse voltar no tempo, escreveria aquela primeira carta exatamente da mesma maneira.
Há pessoas que entram em nossa vida apenas para caminhar ao nosso lado por um trecho do caminho. Mas, acredite, esse trecho, por si só, já é suficiente.